O albergue chinês da “letra” rosiana: Entre deformação e recriação
DOI:
https://doi.org/10.21814/diacritica.6973Keywords:
Guimarães Rosa, Neologisms, Portuguese-Chinese translation, Antoine Berman, Deforming tendenciesAbstract
The translation of Guimarães Rosa’s works presents unique challenges, particularly in the treatment of neologisms, a central element of his aesthetic project. This study analyzes the Chinese translation of these neologisms through the lens of Antoine Berman’s approach (2013, 2021). The corpus is the collection 河的第三条岸 (The Third Bank of the River), translated by You Yupin and published in China in 2025. Its recent availability allows for the investigation of a still underexplored field: the translation of Rosa into Chinese. Based on a representative sample including neologisms of both form and meaning, the study identifies the deforming tendencies present and the strategies of re-creation and compensation employed. It is observed that tendencies such as rationalization, clarification, and ennoblement occur predominantly in a hybrid manner, yet these deformations are accompanied by a consistent effort of expressive reconstruction through lexical and syntactic solutions. The study contributes to the scholarship on literary translation by showing how Rosian invention and its strangeness are recreated within the constraints and potentialities of a linguistic system distant from Portuguese.
References
Abi-Sâmara, R. (2012). Antoine Berman na China: a tradução e o ideograma ou o albergue das letras longínquas. Scientia Traductionis, 11, 377–387. https://doi.org/10.5007/1980-4237.2012n11p377
Alves, I. M. (2007). Neologismo: criação lexical. Ática.
Andrade, C., & Cardoso, D. (2015). Um mergulho discursivo sobre “A terceira margem do rio”, de Guimarães Rosa. Bakhtiniana: Revista de Estudos do Discurso, 10(1), 28–41. https://doi.org/10.1590/2176-457319786
Arruda, L. (2014). Gramática de português língua não materna. Porto Editora.
Azevedo, F. C. D. (2018). A autoridade clássica em “Fatalidade”, de Guimarães Rosa. Cadernos de Letras da UFF, 28(56), 371–389. https://doi.org/10.22409/cadletrasuff.2018n56a523
Barbosa, M. A. (2001). Da neologia à neologia na literatura. Em A. de Oliveira & A. N. Isquerdo (Orgs.), As ciências do léxico: lexicologia, lexicografia, terminologia (2.ª ed., Vol. 1). UFMS.
Barros, M. G. P. (2011). Estudo do léxico de João Guimarães Rosa na tradução italiana de Grande Sertão: Veredas [Dissertação de Mestrado, Universidade de São Paulo]. https://doi.org/10.11606/D.8.2011.tde-27102011-092324
Berman, A. (1995). Pour une critique des traductions : John Donne. Gallimard.
Berman, A. (2013). A tradução e a letra ou o albergue do longínquo (M. C. Torres, M. Furlan, & A. Guerini, Trads.; 2.ª ed.). Copiart; PGET/UFSC.
Berman, A. (2021). Translation and the trials of the foreign (L. Venuti, Trans.). Em L. Venuti (Ed.), The translation studies reader (4.ª ed., pp. 247–260). Routledge.
Chang, E. (2012). 红玫瑰与白玫瑰 [A rosa vermelha e a rosa branca]. Beijing October Arts and Literature Publishing House.
Chu, Y. K. (2000). Interação entre linguagem e pensamento em chinês. Em H. de. Campos (Org.), Ideograma. Lógica, poesia, linguagem (pp. 203–227). Edusp.
Costa, E. L. (2017). A criação linguística de Guimarães Rosa em Ave, palavra. Cadernos do CNLF, 21(3), 57–68. http://www.filologia.org.br/xxi_cnlf/cnlf/tomo1/004.pdf
Ferraz, A. P. (2007). Neologismos na publicidade impressa: processos mais frequentes no português do Brasil. Em A. N. Isquerdo & I. M. Alves (Orgs.), As ciências do léxico: lexicologia, lexicografia, terminologia, (vol. 3, pp. 53–64). UFMS.
Ferreira, A. B. de H. (1986). Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa (2.ª ed.). Nova Fronteira.
Ganança, J. H. L. (2018). Neologia e neologismos no português brasileiro: principais ideias. Revista GTLex, 4(1), 33–53. https://doi.org/10.14393/Lex7-v4n1a2018-2
Houaiss, A. (1986). Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Objetiva.
Huang, B. R., & Liao, X. D. (2017). 现代汉语 [Chinês moderno] (增订第6版 下册) (6.ª ed., Vol. 2). Higher Education Press.
Huang, L., & Sun, Y. Q. (2022). Traduzir amálgamas em Terra sonâmbula para o chinês: Entre estrangeirização e domesticação. Revista Linguagem & Ensino, 25(1), 81–103. https://doi.org/10.15210/rle.v25i1.22194
Kuşgöz, M. T. (2025). Translating violence and horror in Lovecraft’s Cthulhu Mythos: A comparative study of English & Turkish versions through the lens of Berman’s deforming tendencies. Abant Journal of Translation and Interpreting Studies, 3(2), 56–75. https://dergipark.org.tr/en/pub/ajtis/issue/94260/1714909
Larbaud, V. (1997). Sous l’invocation de saint Jérôme. Gallimard.
Lima, J. G. (2019). Nos contos, a neologia: inovações lexicais em “Fatalidade”, de Guimarães Rosa. Fólio – Revista de Letras, 11(1), 883–903. https://doi.org/10.22481/folio.v11i1.4997
Lorenz, G. (1994). Diálogo com Guimarães Rosa. In J. G. Rosa, Ficção completa (Vol. 1, pp. 27–61). Nova Aguilar.
Machado, B. F. V. (2011). João Guimarães Rosa: a invenção da linguagem. Itinerários –Revista de Literatura, 33, 233–242. https://periodicos.fclar.unesp.br/itinerarios/article/view/4870
Machado, E. (2023). Guimarães Rosa: um crítico-inventor. Valittera - Revista Literária dos Acadêmicos de Letras, 1(8), 41–62. https://doi.org/10.61389/valittera.v1i8.7573
Martins, N. S. A. (2020). O léxico de Guimarães Rosa (3.ª ed. rev.). Editora da Universidade de São Paulo.
Ministry of Education, Republic of China (Taiwan). (s.d.). 阴魂不散 [perseguir alguém incessantemente]. Em Revised Mandarin Chinese Dictionary (em linha). https://dict.revised.moe.edu.tw/dictView.jsp?ID=156484
Ponchirolli, F. A. (2006). A estilística da adaptação e inadaptação: uma análise de “A terceira margem do rio”, de João Guimarães Rosa [Dissertação de Mestrado, Universidade de São Paulo]. https://doi.org/10.11606/D.8.2006.tde-22082007-152656
Rosa, J. G. (1985). Ave, palavra (3.ª ed.). Nova Fronteira.
Rosa, J. G. (2019). Primeiras estórias (1.ª ed.). Global Editora.
Rosa, J. G. (2021). Estas estórias. Global Editora.
Rosa, J. G. (2025a). 河的第三条岸 [A terceira margem do rio] (S. D. Lang, Trad.). Jiangsu Phoenix Literature and Art Publishing House.
Rosa, J. G. (2025b). 河的第三条岸 [A terceira margem do rio] (Y. P. You, Trad.). Shanghai People’s Publishing House.
Venuti, L. (2017). The translator's invisibility: a history of translation. Routledge.
Verlangieri, I. V. R. (1993). João Guimarães Rosa: correspondência inédita com a tradutora norte-americana Harriet de Onís [Dissertação de Mestrado, Universidade do Estado de São Paulo]. https://sgpa.webhostusp.sti.usp.br/obra.php?cod=575&s=grosa
Verneck, B. (2017). Um quixote roseano: cavaleiro da fronteira, patrão em decesso. Revista Marinatambalo, 2, 73–79. https://2f6b6f40-b829-4e10-bb79-02ed54455a25.filesusr.com/ugd/dcf41a_561f4f414e0146aa81f02de6e34280e1.pdf
You, Y. P. (2025), 读药丸 [Ler a pílula] [Podcast]. Xiaoyuzhoufm. (Ep. 6). https://www.xiaoyuzhoufm.com/episode/6853df4b4abe6e29cbf55915
Zhao, Y. X. (1998). Gramática concisa da língua chinesa (M. Trigoso, Trad.). Instituto Politécnico de Macau.
Downloads
Published
Issue
Section
License
Copyright (c) 2026 Zimo Lian

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.






