Volume 40.3/2026 [aberta]
Dossiê Temático – A censura da literatura infantil e juvenil durante as ditaduras de Franco e Salazar e a sua repercussão na educação
Prazo de Submissão: 30 de abril de 2026
(A revista recebe submissões em fluxo contínuo para as secções “Varia”, “Recensão” e “Entrevista”.)
Editores convidados:
Ângela Balça (Universidade de Évora & Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho) & Ramón Tena Fernández (Universidade da Extremadura, Espanha)
Portugal e Espanha comemoraram recentemente meio século do fim das suas ditaduras, porém pouco foi desenvolvido para expor os danos da censura, os seus vetos, intenções e conteúdos manipulados, sobretudo no que diz respeito à literatura infantil e juvenil (LIJ).
Este facto é muito marcante porque as publicações de LIJ passaram de desprezadas no início de ambos os regimes a objeto de atenção preferencial a partir dos anos 50 do século XX. De tal modo que, à medida que alguns requisitos foram sendo flexibilizados e novos decretos e leis foram sendo aprovados para dar uma aparência de liberdade, o contrário aconteceu no domínio da LIJ. Porque na doutrinação dos jovens, na sua ignorância e na falta de pluralidade de ideias estavam as sementes que ajudariam as suas ditaduras a continuar, uma vez mortos os seus líderes.
O que é que foi censurado, como e de que forma? Estas são questões que ainda precisam de ser investigadas em profundidade.
Este volume monográfico está aberto à receção de artigos de investigação que se debrucem sobre os documentos dos arquivos de Portugal e de Espanha, de modo a mostrarem o lado interno da censura da LIJ. Por outras palavras, o objetivo é mostrar como funcionava cada país, que sinergias existiam, que conteúdos eram mais perseguidos e que elementos centravam a atenção dos censores nas suas avaliações.
As linhas de interesse principal deste volume são:
– Estudos estatísticos baseados nos relatórios de censura da LIJ que revelam os itens de avaliação mais importantes, os géneros mais perseguidos ou as palavras mais riscadas.
– Análise dos gabinetes, associações e entidades que, paralelamente ao trabalho do governo, também exerciam a censura e o controlo das publicações de LIJ.
– Pesquisa sobre editores de LIJ dissidentes.
– Trabalho de arquivo com a cronologia avaliativa das colecções de LIJ, comentários dos censores e negociações com os editores.
– Artigos comparativos que mostram as diferenças entre as provas de impressão e o conteúdo dos livros publicados.
– Biografias dos censores dos dois países, mostrando a sua formação, o seu prestígio e as suas qualificações para a função que desempenhavam.
– Mulheres autoras que foram silenciadas ou penalizadas por defenderem uma literatura aberta, pluralista e progressista.
– Comparações que demonstram a viabilidade de publicação de um mesmo título, coleção ou género, consoante o país ou a década em que se pretendia publicar.
Serão aceites contributos nas seguintes línguas: português, espanhol e inglês.
Os autores deverão seguir obrigatoriamente as normas de submissão e formatação da revista Diacrítica: https://revistas.uminho.pt/index.php/diacritica/index






