A luta feminista no período ditatorial brasileiro: Representações da mulher em Ave de Paraíso e Colheita de Nélida Piñon

Autores

  • Danielly Cristina Pereira Vieira

DOI:

https://doi.org/10.21814/diacritica.527

Palavras-chave:

Feminismo, Feminino, Ditadura, Mulher, Representação

Resumo

Intitulando-se feminista histórica por desde cedo aderir ao movimento feminista, Nélida Piñon utiliza sua escrita para tratar de diversos aspectos que envolvem a mulher. Iremos analisar os contos Ave de Paraíso e Colheita, que integram a obra Sala de Armas(Piñon 1973),relacionando-os com o movimento feminista das décadas de 1970 e 80 no Brasil, período no qual a luta feminista pela politização do cotidiano é expandida e consolidada, a fim de perceber e analisar a construção das personagens femininas desses contos como imagens de crítica à condição da mulher até então pautada no destino biológico e na vida privada. Para isso, destrincharemos, principalmente, a crescente valorização das atividades domésticas–ponto chave do conto Colheita–e a caracterização extremamente passiva das mulheres–ponto chave do conto Ave de Paraíso. Utilizaremos as perspectivas da crítica feminista, tais como Casagrande e Zolin (2007) e Cheri Register (1989), a fim de refletir acerca dos aspectos tradicionais em volta dessas representações. Além disso, traçaremos um paralelo entre as pautas feministas brasileiras no período determinado, através das teorias de Daniela Manini (1995–96),Céli Pinto (2003), Joana Maria Pedro (2006,2012),Constância Duarte (2003), dentre outras. Concluímos que Nélida Piñon vislumbrou aspectos nebulosos da condição da mulher da sua época que seriam fortalecidos nas pautas do movimento feminista anos depois da publicação desses contos, exibindo sua contemporaneidade (Agamben2009) transfigurada em maestria literária.

Referências

Agamben, G. (2009). O que é contemporâneo e outros ensaios. Chapecó, SC: Argos.

Brandão, R. (2006). Mulher ao pé da letra: a personagem feminina na literatura. Belo Horizonte: Editora UFMG.

Casagrande, S., & Zolin, L. (2007). A representação da mulher no conto “Colheita”, de Nélida Piñon: mulher emancipada. Acta Scientiarum. Human and Social Sciences, 29 (1), 15–22. https://doi.org/10.4025/actascihumansoc.v29i1.142 DOI: https://doi.org/10.4025/actascihumansoc.v29i1.142

Coelho, R. (2008). A evolução jurídica da cidadania da mulher brasileira [breves notas para marcar o dia 24 de fevereiro, quando publicado o Código Eleitoral de 1932 e os 90 anos do voto precursor de Celina Viana]. Brasília: Procuradoria Geral da República/ Ministério Público Federal.

Duarte, C. (2003). Feminismo e Literatura: discurso e história. O Eixo e a Roda: Revista de Literatura Brasileira, 9/10, 195–219. https://doi.org/10.17851/2358-9787.9.0.195-219 DOI: https://doi.org/10.17851/2358-9787.9.0.195-219

Freitas, J. (2017, outubro 30). Estupro marital: uma breve análise da legislação ao redor do mundo. Lumos jurídico [website] Consultado em http://www.lumosjuridico.com.br/ 2017/10/30/estupro-marital-uma-breve-analise-da-legislacao-ao-redor-do-mundo/.

Foucault, M. (1982). Microfísica do poder. São Paulo: Graal.

Manini, D. (1995–96). A crítica feminista à modernidade e o projeto feminista no Brasil dos anos 70 e 80. Cadernos AEL, 3/4, 45–67.

Mello, S. (2019). Lugar de mulher é onde ela quiser? Feminismos, domesticidade e conflito social no Brasil (1964–1990). In C. S. Wolff, J. Zandoná, & S. C. de Mello (Eds.), Mulheres de Luta: feminismo e esquerdas no Brasil (1964–1985) (1ª ed., Vol. 1, pp. 74–98). Curitiba: Appris.

Merlino, T., & Ojeda, I. (2010). Direito à memória e à verdade: Luta, substantivo feminino. São Paulo: Editora Caros Amigos.

Nascimento, L. (2015). Estupro Marital: O Inimigo Silencioso (Trabalho de conclusão de curso, Universidade de Rio Verde, Caiapônia). Consultado em https://nuneslaiane. jusbrasil.com.br/artigos/350001719/estupro-marital.

Pedro, J. (2006). Narrativas fundadoras do feminismo: poderes e conflitos (1970–1978). Revista Brasileira de História, 26 (52), 249–272. https://doi.org/10.1590/S0102-01882006000200011 DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-01882006000200011

Pedro, J. (2012). O feminismo de segunda onda: corpo, prazer e trabalho. In C. B. Pinsky & J. M. Pedro (Eds.), Nova História das Mulheres no Brasil (pp. 238–259). São Paulo: Contexto.

Piñon, N. (1961). Guia-mapa de Gabriel Arcanjo. Ilhéus: Edições GRD.

Piñon, N. (1973). Sala de armas. Rio de Janeiro: Edições Sabiá.

Piñon, N. (2016, dezembro 12). Nélida Piñon e o feminismo [Entrevista concedida a Grupo Editorial Record]. Consultado em https://www.record.com.br/nelida-pinon-e-o-feminismo/

Pinto, C. (2003). Uma história do feminismo no Brasil. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo.

Register, C. (1989). American Feminist Literary Criticism: a bibliographical introduction. In J. Donovan (Ed.), Feminist Literary Criticism: explorations in theory (pp. 1–28). Kentucky: The University Press of Kentucky.

Sellier, P. (1998). Heroísmo (o modelo – da imaginação). In P. Brunel (Ed.), Dicionário de Mitos Literários (pp. 467–473). Rio de Janeiro: José Olympio.

Teles, M. (2015). Violação dos direitos humanos das mulheres na ditadura. Revista Estudos Feministas, 23 (3), 1001–1022. https://doi.org/10.1590/0104-026X2015v23n3p1001 DOI: https://doi.org/10.1590/0104-026X2015v23n3p1001

Zolin, L. (2008). A representação da mulher na narrativa de Nélida Piñon. Interdisciplinar – Revista de Estudos em Língua e Literatura, 5 (5), 9–37.

Zolin, L. (2009). Crítica Feminista. In T. Bonnici & L. Zolin (Eds.), Teoria literária: abordagens históricas e tendências contemporâneas (pp. 181–203). Maringá: Eduem.

Downloads

Publicado

31-07-2020

Como Citar

Vieira, D. C. P. (2020). A luta feminista no período ditatorial brasileiro: Representações da mulher em Ave de Paraíso e Colheita de Nélida Piñon. Diacrítica, 34(2), 203–220. https://doi.org/10.21814/diacritica.527