2i | REVISTA DE ESTUDOS DE IDENTIDADE E INTERMEDIALIDADE

 

CHAMADA DE ARTIGOS — Nº 1 (2020) :  LITERATURA E TELEVISÃO: NOVAS NARRATIVAS | FICÇÕES TRANSMÉDIA

Data limite para submissão de colaborações: 31 janeiro 2020
Editores: Xaquín Núñez e Daniel Tavares

Apresentação

As relações entre a literatura e a televisão têm estado presentes desde o nascimento do medium televisivo. Como serviço público, como entretimento ou como plataforma de ficções narrativas, a televisão tem prestado uma especial atenção à literatura, seja em relação à informação e formação literárias, às adaptações dos clássicos ou como modelo narrativo da ficção serial.

A porosidade entre diferentes media ampliou-se, no entanto, nos nossos dias. A revolução digital tem expandido global e massivamente os produtos culturais, propiciando uma grande hibridação entre as narrativas da ficção. O objeto artístico transita por vários media e formas e transforma-se, além disso, a partir da experiência com o consumidor, criando, por sua vez, novos produtos transmediais.

Este fenómeno, tendo em conta a confluência das indústrias culturais com as indústrias do lazer e os novos comportamentos do mercado da arte, propiciou um alargamento do campo cultural, concedendo autonomia artística a produtos tradicionalmente secundarizados ou postergados (videojogos, banda desenhada, séries audiovisuais…). Tal transformação motivou alterações epistemológicas entre os estudos comparados, que transitaram de uma natureza intertextual para uma outra, intermedial. A ficção televisiva constitui um dos novos produtos de culto de maior impacto ao nível de consumidores, crítica e teoria académicas. A grande complexidade e qualidade fílmica e narrativa das séries caracteriza esta Terceira Idade de Ouro da televisão.

A revolução digital e as plataformas de Video on Demand (VOD), assim como os serviços em streaming, possibilitaram a expansão global das séries televisivas, garantindo a viabilidade económica e, consequentemente, possibilitaram um reforço da qualidade artística da ficção e das narrativas seriais, nas quais se verificam importantes apropriações intermediais do texto literário.

Este número 1 da Revista 2i pretende efetuar, portanto, uma revisão crítica e teórica das novas narrativas, televisivas e literárias, e das relações entre ambas, das formas de produção, divulgação e consumo, do contributo da literatura na conquista da autonomia cultural da ficção televisiva ou das condições de reforço da profissionalização dos criadores, tendo em conta o potencial económico da indústria do lazer.

 

Principais temas acolhidos neste número da revista

  • Adaptações dos clássicos literários na ficção televisiva
  • Narrativas intermediais entre o texto literário e o produto audiovisual: multimedialidade, remedialidade, transmedialidade
  • O guião televisivo como produto literário
  • Mitos e figuras da ficção nos media literário e televisivo
  • Contribuição da indústria televisiva para a profissionalização do criador (guionista, escritor, dramaturgo)
  • Informação e formação literárias na televisão
  • Universos ficcionais transmediais: literatura, televisão, cinema, videojogos…
  • Novas literacias transmediais: escola, televisão pública, bibliotecas...

 


 

Nº ESPECIAL DE LANÇAMENTO (2019) :  IDENTIDADE E RETRATO: NOVOS PARADIGMAS | NOVOS MEDIA

Data limite para entrega de colaborações (por convite): 30 setembro 2019
Editor: Eunice Ribeiro

Apresentação

Respondendo a um impulso, a uma vontade ou a uma necessidade humanas de dar a ver identidades e/ou personalidades ‘próprias’ (ou assim entendidas), o retrato tornou-se um gesto expressivo característico da cultura e da episteme ocidentais.  Elevado a género autónomo na arte europeia quinhentista, foi conhecendo, todavia, evoluções e deslocações significativas ao nível das ideias, políticas e axiologias representativas que lhe são subjacentes e das formas e poéticas artísticas que as traduzem. Fiel, durante vários séculos, a princípios de representação naturalista que o associaram preferencialmente à esfera da imagem, revelou-se progressivamente transversal a múltiplas linguagens artísticas e sistemas semióticos, dos mais tradicionais aos mais emergentes, envolvendo atualmente os novos media e as novas tecnologias digitais. Acusando, por outro lado, as consequências das profundas crises que, com a Modernidade, abalaram uma conceção essencialista de ‘sujeito’ e puseram em causa as capacidades representativas das linguagens humanas, o retrato demonstrou assim mesmo uma surpreendente resistência a uma ‘morte’ várias vezes anunciada, reconfigurando os seus próprios paradigmas epistemológicos, as suas filosofias identitárias, as suas lógicas criativas.

A progressiva utilização de retratos nas ciências sociais ou na pedagogia mostra-nos até que ponto as imagens e os textos retratísticos se situam no cerne do debate político e cultural hodierno, não meramente enquanto produtos da experiência humana, mas sobretudo como agentes históricos com efetiva capacidade de intervenção e transformação social. O repertório contemporâneo da representação retratística abre-se recorrentemente a questões relacionadas com as migrações e as diásporas, o envelhecimento, os temas de género, a exclusão social, as identidades transculturais, num sentido que é agora menos singularizador e menos essencialista e mais transitivo e ‘turbulento’.

Diante de um retrato, fazem-se perguntas. Pensar o retrato nos nossos dias — como propomos para tema deste número de lançamento da Revista 2i — é sem dúvida exercer o direito de fazer perguntas. E é, ainda, um modo particularmente interventivo de contribuir para a construção de uma consciência social responsável e inclusiva, ciente de uma herança e de uma memória culturais a partir das quais é possível estimular respostas aos complexos desafios que enfrentam as atuais comunidades humanas.

 

Principais temas acolhidos neste número especial da revista

  • Hermenêuticas do ‘eu’ na modernidade e na pós-modernidade
  • O adeus às semelhanças: cartografias contemporâneas da representação
  • O género do retrato: entre a ‘morte’ e a deslocação epistemológica
  • Retrato e novos media
  • Redes sociais e práticas autorretratísticas
  • Retratos urbanos: anonimato e corpo coletivo
  • Os novos retratos do poder: outros modelos e outras cenografias da 'autoridade'
  • Para lá da imagem: retrato, cegueira e invisualidade
  • O retrato diante do tempo: metamorfoses e 'aparições'
  • Retratos literários: desfiguração, irreconhecimento