Chamadas

REVISTA 2i | ESTUDOS DE IDENTIDADE E INTERMEDIALIDADE

 

CHAMADA DE ARTIGOS — Nº 8 (2023) : SALETTE TAVARES: «VOCAÇÃO DE SER ITINERANTE»

Data limite para submissão de colaborações: 1 junho 2023
Editores: Rui Torres, Bruno Ministro e Inês Cardoso

Apresentação

Este número da Revista 2i associa-se ao Colóquio 'Salette Tavares: «vocação de ser itinerante»' (http://po-ex.net/st2022), organizado pela Universidade Fernando Pessoa em parceria com o ICNOVA   Instituto de Comunicação da NOVA e o ILCML   Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, nos dias 21 e 22 julho de 2022, em diálogo com o programa 'Reencontrar Salette Tavares. Cem Anos Agora: Educar, Brincar, Comunicar', no qual se discutiram as múltiplas intersecções e diálogos que a obra desta autora sinaliza e aciona.

O ano de 2022 assinalou o centenário do nascimento de Salette Tavares (Lourenço Marques, 1922   Lisboa, 1994), autora de uma obra múltipla, articulada em linguagens rigorosas e inovadoras.

Salette Tavares foi poeta, artista e performer: desenvolveu um trabalho criativo com uma ampla variedade de materiais e técnicas, de que resultam obras de poesia visual, gráfica e espacial; esteve atenta à dimensão sonora da linguagem, ocupando a música um papel central na sua vida; estabeleceu «diálogos criativos» com artistas do seu tempo, colaborando ativamente em performances e happenings inovadores para a época.

Salette Tavares foi também educadora: estudou e contribuiu para a divulgação da teoria da informação, da análise estruturalista da arquitetura, da estética nova e de vários pintores portugueses, tendo-se interessado igualmente pelo património artístico português. Foi professora de história da arte e de estética, tendo toda a sua obra uma dimensão marcadamente pedagógica.

Convidamos, agora, investigadores a submeterem artigos que explicitamente desenvolvam pesquisa nova e relevante em torno da obra de Salette Tavares e que abordem as temáticas da Chamada de Trabalhos do Colóquio, que se resumem à relação da obra da autora com os eixos seguidamente apresentados.

Eixos possíveis de reflexão:

  • intertextualidade e culturmorfologia | tradição e vanguarda
  • variedade medial e diversidade material | visualismo e espacialização
  • som e música | linguagem e auratura
  • ludicidade e criatividade | jogo e invenção
  • diálogo e co-criação | colaboração e participação
  • metalinguagem e autoreflexividade | poeprática e poelítica
  • performance e happening | ação e intervenção
  • crítica e divulgação | estética e comunicação
  • educação e pedagogia | interação e humanização
  • património e arquitetura | pintura e escultura
  • marginalização e resistência | liberdade e ousadia
  • releituras e interpretações | codificações e digitalizações

Esta edição está aberta a propostas nacionais e internacionais, não se limitando aos participantes do Colóquio.

Incentivamos a utilização de imagens da obra de Salette Tavares que ajudem a informar as discussões apresentadas, ficando a cargo dos editores a obtenção das autorizações necessárias para a sua reprodução.

Para mais informações, contacte Rui Torres: rtorres@ufp.edu.pt

 

CHAMADA DE ARTIGOS — Nº 7 (2023) : ANIMALIDADES E ZOOPOÉTICA: DOS TEXTOS ÀS TEORIAS

Data limite para submissão de colaborações: 15 janeiro 2023
Editores: Sérgio Guimarães de Sousa e Ana Ribeiro

Apresentação

Marcado por diversas mutações, decisivamente acentuadas pelo incontido triunfo da tecnologia e pelo drástico fenómeno das alterações climáticas e do seu eco apocalíptico, o mundo socio-civilizacional de hoje afasta-se a passos largos da tradicional concetualização do humano enquanto instância de um lugar central e dominante na ecosfera.

Com efeito, é atualmente indesmentível a emergência de uma recodificação identitária através da qual se dá a erosão do antropocentrismo e a consequente reavaliação da força e da pertinência das espécies não-humanas nas condições de possibilidade de um ecossistema equilibrado e sustentável – ou seja: benéfico a todos os viventes.

A renúncia ao mundo regido pela convicção da inabalável superioridade humana (mundo hierárquico, vertical, tradicional) sobre as demais espécies e o investimento heurístico e estético-ideológico a favor de uma espécie de retorno a uma realidade primordial, em que o apelo do não humano, concebido em sentido razoavelmente lato, se faz (finalmente) ouvir, registam-se em todos os âmbitos.

Desde logo, nos mais vocacionados para o efeito, como é seguramente o caso da antropologia e da etologia (pense-se nos estudos de referência do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro ou em nomes como o da primatologista Jane Goodall e o do zoólogo e paleontólogo Stephen Jay Gould), mas também nos estudos literários com a ecocrítica, no conhecimento filosófico-ensaístico (e aqui, bem antes de Derrida e do seu emblemático ensaio O animal que logo sou e dos contributos filosóficos de Bruno Latour, convirá recuar até Montaigne, um dos possíveis marcos arqueológicos, em rigor, dos Animal Studies), no mundo económico-financeiro (com a chamada economia circular ou sustentável), para não falar nas figurações artísticas, sobretudo as de vasta difusão discursivo-narrativa (o cinema é disso perfeito exemplo).

Todas estas vertentes, e muitas outras, cada uma a seu modo, sensibilizam-nos para o facto de não podermos continuar a relacionarmo-nos com a natureza e com os seres não-humanos que nela se alojam como se esta e estes não passassem de uma mera moldura da nossa (problemática) presença. Numa palavra, todas as formas de vida afiguram-se essenciais à sobrevivência.

É objetivo deste 7.º número da Revista 2i, subordinado ao tema animalidades e zoopoética: dos textos às teorias, problematizar a alteração de paradigma em curso, prestando particular atenção ao modo como esta mudança sensível à legitimidade de todas as formas de vida se manifesta nos seus textos de referência, sejam eles fundadores ou recentes, condição essencial para se perceber como ocorre a fundamentação teórica de um new world. Aquele em que ser humano, ao arrepio de uma suposta ontologia imutável e sem ressalvas, deixou de significar um centro cardinal na órbita do qual tudo teria de gravitar.

Ser humano na conjuntura de hoje, a do Antropoceno, é, antes de mais, ser capaz de desarrumar categorias tradicionais, manifestando o impacto da existência humana em função também dos restantes seres viventes, de modo a conter uma provável, mas ainda não inexorável, extinção.

Assim, esta chamada de artigos deve ser entendida como um convite a contributos interdisciplinares suscetíveis de indagarem e problematizarem os textos e as teorias oriundos da zoopoética e dos animal studies nas suas diversas implicações: crenças, normas, práticas significantes, valores, expectativas, repertório de possibilidades, etc.

Possíveis tópicos de reflexão:

  • Limiares Homem/Animal;
  • Alegorizações antropomórficas e zoomórficas;
  • Zoofilia e antropozoologia;
  • Animalidades e Antropoceno;
  • Ecossistemas sustentáveis;
  • Recodificações identitárias;
  • Utopias, distopias e pós-humano.